A gestão sustentável dos recursos hídricos da Península de Setúbal foi mais um dos temas proposto para reflexão no âmbito do ciclo de seminários promovido pelo Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) por ocasião das comemorações do seu 40.º aniversário.
Agendada para o dia 15 de maio, no Auditório 2 da Escola Superior de Tecnologia de Setúbal (ESTSetúbal/IPS) a iniciativa, sob o tema “Economia Circular da Água”, reuniu vários especialistas que se propuseram esclarecer, junto da comunidade académica e do público em geral, questões sobre o ciclo da água de abastecimento público e serviços de saneamento, com especial enfoque na qualidade de vida dos cidadãos e na proteção dos recursos hídricos da região.
A sessão de abertura foi assegurada pelo vice-presidente do IPS, João Vinagre, seguindo-se a primeira intervenção, em torno da “Evolução dos serviços de abastecimento de água e saneamento nas últimas duas décadas”, da responsabilidade de Filipe Ruivo, da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR).
Sobre a “Reutilização de águas residuais tratadas”, contou-se com as intervenções de Ana Sofia Rodrigues e Rui Sequeira, da Agência Portuguesa do Ambiente – Administração da Região Hidrográfica do Alentejo (APA-ARH Alentejo), cabendo a Gonçalo Rodrigues, do Centro Operativo e de Tecnologia do Regadio (COTR) a intervenção final, sobre “Economia Circular e Regadio”.

Da parte APA-ARH Alentejo, que cobre os rios Guadiana, Sado e Mira, foram deixadas as metas definidas pelo Governo nesta matéria e o que está a ser feito para lá chegar. “Neste momento, apenas 1,4 por cento das águas residuais das 52 maiores ETAR do País, o que corresponde a dois milhões de metros cúbicos de efluente anual, está a ser reutilizado”, explicou Rui Sequeira. “O objetivo é que, dentro de cinco anos, alcancemos os 10 por cento, e, dentro de 10 anos, os 20 por cento”, elencando como grandes constrangimentos a segurança, para a saúde e o ambiente, e a aceitação pública.
O responsável sublinhou ainda que o que está em causa são apenas os usos não potáveis. “Ninguém vai consumir esta água”, garantiu, dando o exemplo de alguns projetos de reutilização já implementados na área de abrangência da ARH Alentejo, em que a água residual tratada é “reutilizada dentro das próprias instalações, ou para a lavagem de pavimentos, ou para a rega de jardins, ou para a rega de culturas”.
A um possível “regadio circular”, assente, entre outras medidas, na reutilização de águas tratadas para uso agrícola, Gonçalo Rodrigues do COTR, mencionou como uma das principais barreiras “a mentalidade das populações e o medo”. O responsável deu o exemplo do projeto piloto REUSE, implementado na ETAR de Beja para rega de um pomar de romãs, que se debateu com “a procura de um agricultor disposto a utilizar águas tratadas na sua exploração”, quando a água do Alqueva, ali mesmo à mão, “sai da torneira com muito mais garantias, à partida, dentro daquilo que é o seu conhecimento”.
Também Filipe Ruivo, da ERSAR, reconheceu a incipiência desta medida que, não sendo uma solução para a escassez de água, surge como uma contribuição importante para uma gestão mais sustentável deste bem. “Vamos ter que aumentar o nível de reutilização das águas residuais urbanas. É o nosso grande desafio neste setor”, afirmou, dando conta dos números de 2017, ainda pouco expressivos.

O reforço da reutilização de águas residuais, foi uma das alternativas defendidas no âmbito deste seminário, como forma de preservar os recursos hídricos da região de Setúbal e do País.
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O seminário contemplou ainda a inauguração, pelas 17h30, de uma exposição de posters sobre o ciclo urbano da água nos vários municípios da Península de Setúbal.

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